

















Acima, modelos da Mini.







Olá pessoal. No feriado de 7 de setembro, aconteceu o Curitiba em Vespa. Não pude ir, mas faço minhas as palavas do Marcio Fedelis, do Blog: http://scooteriapaulista.blogspot.com/
Aqui vai o texto na íntegra. A foto é de Emerson Mestrinelli.
Todos chegaram em suas casas são e salvos: scooters e pilotos. Estamos em estado de graça. O Curitiba em Vespa enfim aconteceu e foi maravilhoso. Um inédito encontro de estradas que se tornou desde o início do ano um enorme desafio em diversos sentidos: o conceito, a divulgação, a organização dos comboios locais, e ao mesmo tempo, o preparo das Vespas para uma viagem nada fácil, sem contar os gastos financeiros. Para o Jack, Ito e Coca, os "da casa", a responsabilidade do itinerário e da programação do evento fora o desafio maior, que talvez possua tanto peso quanto a viagem que realizamos. E já adianto que o itinerário foi sensacional, do Centro Cívico à Morretes.
Desde que o Fabio Borba (RS) me contatou pela primeira vez (há um ano atrás) a fim de bolarmos uma bagunça das boas, nunca mais dormi direito. Naquele momento pensei: "tem mais louco andando de Vespa do que venho imaginando". Ele, também o Masiá (RS), o Jack (PR) e o Coca (PR) etc vinham paquerando a possibilidade de um encontro de estradas, e foi nesse momento que, com a solicitação do Fabio Borba, adentrei aos debates representando o estado de SP. Daí surgiu a Scooteria Paulista.
Esse foi e está sendo o ano em que o scooterismo brasileiro subiu de nível. Os pilotos e grupos se aproximaram, alguns talvez tenham mudado a sua maneira de pensar e certamente não se arrependeram. Ficou pra trás aquela velha imagem do domingueiro, do tiozinho que "tem uma vespinha", dos que parecem erguer a bandeira mas que não prestigiam nem mesmo um encontro local, do velho discurso: "Vespa é pra você curtir de vez em quando, ela não agüenta tanto". Quantas vezes eu ouvi isso até de quem tem uma... Hoje eu respondo: "a Vespa agüenta, quem não agüenta é a bunda (ou o bundão) em cima dela”.
Nós de SP quilometramos 1000 kms de estrada, e mais cerca de 100 kms no evento, em Curitiba e em Morretes. Os gaúchos fizeram mais asfalto ainda, pois cruzaram Santa Catarina até o Paraná, somando 1500 kms de rodovia. Os catarinenses fizeram questão de rebocar as suas belas Lambrettas para rodarem na estica em Curitiba. Um carioca guerreiro representou o seu estado numa PX curitibana. E os Curitibanos representaram a sua cidade com uma bela banca. E todos deram o seu melhor durante o ano, seja divulgando o evento, agitando a cena local, sugerindo idéias, criando materiais (como adesivos, faixas, bandeirolas, bottons, vídeos etc), ou seja preparando suas scooters para esse grande dia. Graças ao trabalho local, de pessoa por pessoa, o Curitiba em Vespa foi o sucesso que foi. Estava presente quase 50 scooters clássicas, quase que todos os modelos já lançados no Brasil. E elas todas rodando, na estica, fazendo muita fumaça e muito barulho por onde passava. Nesse momento ainda que eu tente lhes descrever como foi esse encontro, seria impossível dar conta, pois foram tantas as informações, as aventuras, as sensações, os fatos, as pessoas, os lugares, as provações, e a convivência, que toda a minha narrativa seria puramente emocional. Faço questão de apresentar-lhes essa fotografia com quase todos os scooteristas do evento pois o que mais contou aqui foi a atitude pessoal de fazer por onde para chegar lá.
Durante esse mês de setembro esse blog estará ‘fechado’ para as fotos e informações sobre esse encontro e a nossa viagem representando SP. Agradeço a todos que valorizaram e apoiaram o nosso primeiro grande encontro de estradas, principalmente as oficinas Free Willy e Scooter Boys pela ajuda em espécie. Pela atitude e coragem parabenizo os paulistas Emerson, Itamar, Arthur Gildo, Lovercy & Alda, a mim e ao Marmirolli. Deixo aqui um enorme abraço com as melhores recordações para:
Confraria Vespa Motor Clube (RS)
Curitiba Vespa Lambretta Clube (PR)
Vesbretta (RS)
Clube da Lambretta de Joinville (SC)
Alucinados Por Lambretta (SC)
Blog Motonetas & Afins (RJ)
Blog Vespasur (Colômbia)
Broncos Rockabilly (PR)
E a todos os scooteristas que estando ou não vinculados a algum grupo ou clube, fizeram o possível e o impossível para participar do Curitiba em Vespa 2010.
Agora vou dormir o sono dos justos. E que venha o próximo desafio rodoviário.
Marcio Fidelis.
Essa Scooter Scene #5 está com ótimas matérias. E você, já pensou em fazer trilha com a sua Lambretta? Eles pensaram.
Agora sim, uma grande aquisição! Manual da Lambretta LD. Original e em perfeito estado de conservação. E aí, quem vai querer? Quem quiser uma cópia digital é só deixar o e-mail ou mandar uma mensagem. Coloquei uma marca d'agua, porque sempre tem um espertinho que pega e repassa sem dar os créditos. A intensão é de sempre levar ao conhecimemto de todos as coisas do passado! Mas quem quiser uma cópia fiel impressa já pode fazer a sua encomenda!
Essa Lambrettinha deve ser o capeta. Um exemplar 1969, uma GP200, com um motor 240 Kawasaki. Mais uma reportagem da Scooter Scene #5.
Não esqueça do óleo 2 tempos da sua Lambretta. Mais um anúncio publicado na revista Scooter & Thee Wheeler, Abril 1961.







Agora é minha vez de puxar a sardinha para o meu lado. Na próxima edição da revista Wish Report - Especial Homem (na qual trabalho), uma das estrelas da seção "Pares Ímpares", concebida pelo artista Guto Lacaz, é a minha Lambretta. Guto mistura objetos de desejo com coisas do dia a dia. Na caso da Lambretta foi com pirulitos. As fotos, sempre perfeitas são do Edson Kumasaka e a produção executiva e textos de Lili Carneiro.
Lambrettas correndo pelas ruas, a poucos centímetros do público, extasiado pelas pequenas e endiabradas máquinas, rasgando o asfalto a cerca de 130 km/h. O cenário pode parecer distante da realidade paulista e digno de um filme europeu, mas já foi realidade nas ruas e nos canais de Santos entre as décadas de 1970 e 1980.
O comerciante Francisco Velasco experimentou a sensação da velocidade sobre duas rodas pela primeira vez em 1962. Tinha 17 anos e trabalhava em uma oficina mecânica há apenas alguns meses. Poucos, mas suficientes para despertar nele uma paixão que dura até hoje. Com o dinheiro que ganhava trabalhando na oficina, Velasco adquiriu sua primeira lambretta. “Parcelei. Pagava 10 mil por mês, com o dinheiro que eu ganhava na oficina. Aprendi tudo sobre motores com apenas seis meses de trabalho”, conta.

“Havia 86 lambrettas na pista. Durante a corrida, tive que parar nos boxes por um problema mecânico. Demorei para voltar, pois precisei encontrar o defeito e arrumá-lo. Sabe em que colocação fiquei? Trigésimo oitavo”, conta. “Mas fiquei mal depois da prova. Foram seis horas, sem troca de pilotos. Não conseguia abrir as minhas mãos na hora de descer da moto. Para soltar dos manetes, tive que tirar as mãos como se ainda estivesse os segurando”, completa, simulando o drama vivido.
Velasco correria novamente em Interlagos, inclusive com motocicletas maiores em tamanho e potência. Mas, antes, teria disputas, digamos, bem mais emocionantes, pelas ruas de diversas cidades do interior de São Paulo, entre elas Santos.

O apoio para correr em cidades diferentes vinha das prefeituras e de amigos que também corriam. “Geralmente, um caminhão da prefeitura levava das motos. Em Assis, por exemplo, a levavam para Presidente Prudente quando havia corridas lá”.
“Na Baixada Santista, corri umas 20 vezes. Teve no Casqueiro, em Cubatão. Passava pela Avenida 9 de Abril. Em Vicente de Carvalho também teve. Em Santos, foram muitas. Embora tenha vindo morar aqui em 1968, só passei a fazer parte da organização mais ou menos em 1980”, diz.
Na primeira vez em que veio correr em Santos, Velasco morava em São Paulo. “Um amigo trouxe minha lambretta para Santos em seu caminhão. Nós (os corredores) tínhamos muitas dificuldades para tudo. Lembro de ter corrido no canal quatro, pois me lembro de passar por ele durante a corrida. Também houve no canal sete. O trajeto passava pela casa do Pelé (hoje, no lugar, há um prédio), pela praça onde fica o Rebouças. Também teve corrida na Vila Belmiro”.
As provas eram organizadas pelo Santos Moto Clube, que Velasco chegou, inclusive, a presidir quando passou a se envolver com a coordenação das provas na região. “O Santos Moto Clube organizava as provas, pois era filiado da Federação Paulista de Motociclismo, e corria atrás de tudo, troféus, e patrocínio, quando dava. Era bem organizado. Tinha que mandar um ofício para a secretaria de esportes. Tinha que ter policiamento e ambulâncias, se não a prefeitura não autorizava”.
Não existia patrocínio fixo ou prêmios em dinheiro para os vencedores. Apenas a paixão pela velocidade e pelas lambrettas os movia. “O que dá dinheiro é a Fórmula 1. Nós corríamos apenas pela paixão”, diz Velasco. O público prestigiava bem as provas na Baixada Santista, mas as corridas ferviam mesmo nas cidades do interior de São Paulo, onde verdadeiras multidões compareciam nos locais marcados para acompanhar as corridas.
“No interior era bem mais forte. Em Presidente Prudente, havia um ‘troféu transitório’, como na Copa do Mundo. Quem ganhava duas vezes seguidas levava. E eu o ganhei”, revela.
O veterano das duas rodas conta ainda que, em uma corrida disputada em São Paulo, recebeu o troféu das mãos do então governador da Capital. Uma vez, corri na Vila Maria, em São Paulo. Sabe quem foi entregar? O Carvalho Pinto, governador na época. Não lembro o ano exato, 65, 67, por aí”.
Rivalidade
As disputas ácidas pelas ruas geravam certa rivalidade entre as cidades. Certa vez, Velasco foi alvo dessa rivalidade, quando uma torcedora resolveu lhe acertar “casacadas” toda vez que passava por ela na pista, em uma corrida no interior. “A cada volta que eu passava, levava uma casacada. Eu nem conhecia a mulher, aí quando fui ver no fim da corrida, a minha esposa na época estava se atracando com ela. Passei uma vergonha naquele dia”, conta, aos risos. “A rivalidade existia, mas nada comparada com a dos estádios de futebol, tanto que tenho medo de ir em jogos”, completa.
Motoball
Outro esporte de rua curioso, pouco conhecido na história da cidade, foi o motoball. Consistia em uma partida de futebol em que os jogadores atuavam em cima de lambrettas, e jogavam com uma cerca de três vezes maior que a normalmente usada nos gramados.

Hoje, Velasco é dono de uma adega e divide seu tempo com trabalho, mulher e filhos. Mas ainda arruma intervalos para se dedicar às lambrettas. Ele possui uma do ano 1950, recentemente restaurada.
“Hoje eu me entreguei à bebida, pois montei uma adega”, brinca. “Mas eu amo o motociclismo, não tem jeito. Tenho pouco tempo para minha lambretta, mas trato ela com muito carinho. Meu filho, quando era menor, me perguntava ‘por que você quer essa porcaria?’. Hoje ele vive me perguntando quando vai poder andar nela”, diz Chicão, que também correu na categoria Sport, e de MotoCross.

– Amor, comprei uma coisa nova hoje.